terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Abit mira no Simples da Confecção


MAX
O setor de confecção encaminhará ao governo federal, agora em março, uma proposta para a criação de um regime diferenciado de tributação para suas indústrias. Seria uma espécie de 'Simples da Confecção', mas que abrangeria empresas de todos os portes. A ideia é reduzir a carga tributária do setor, hoje em 18% da receita bruta, para, no máximo, 12%. Segundo Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), essa seria a alternativa para as confecções brasileiras competirem com as asiáticas.
 
A proposta da Abit pretende redimensionar o recolhimento de tributos federais, com Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Pis/Cofins) e Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), entre outros. Ela não envolve o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo estadual que tem grande impacto na carga tributária das indústrias. Ainda assim, de acordo com Diniz, seria possível reduzir a carga do setor para até os 12% desejados. Reduzindo a tributação sobre a produção do setor para este percentual a Abit estima que seria possível à indústria de confecção aumentar em 69% o volume de produção até 2025 e gerar 300 mil empregos.
 
O detalhamento do que o setor vem chamando de Regime Tributário Competitivo para Confecção (RTCC) deve ser apresentado somente após o mesmo ser entregue ao governo. Para que a proposta seja acatada, um dos argumentos que devem ser levados a Brasília diz respeito ao fenômeno da fragmentação da indústria têxtil. Para ter uma carga tributária menor, grandes empresas do setor encontraram meios de se fatiar em empresas menores, compatíveis com o regime do Simples Nacional, de tributação menos onerosa.
 
O problema é que, além de perder escala, estas empresas têm o crescimento restrito ao teto de faturamento definido pelo Simples, de R$ 3,6 milhões anuais. Extrapolando este limite, as empresas acabam tributadas por regimes convencionais, o lucro real ou o lucro presumido,  que são bem mais onerosos. "A indústria de confecção teve o crescimento limitado pela tributação. O que queremos é um regime que permita a elas crescerem", afirma Diniz.
 
Além de pedir um regime de tributação diferenciado para suas indústrias, independentemente do porte, o setor de confecção também tenta se blindar da ofensiva chinesa por meio de salvaguardas. Esta também será uma tarefa e tanto. Historicamente o Brasil não tem o hábito de pleitear esse instrumento – usado para proteger a indústria nacional de importações crescentes – junto da Organização Mundial do Comércio (OMC). Ainda assim, a Abit protocolou junto ao governo brasileiro, em agosto do ano passado, o pedido de salvaguarda para 60 produtos de confecção chineses.
 
Segundo Diniz, são 1,1 mil os produtos importados do segmento de confecção, sendo que aqueles 60 envolvidos no pedido de salvaguarda representam 82% das importações do setor. O governo respondeu ao pedido recomendando a Abit que faça a atualização dos dados envolvendo os itens importados para que, à posteriori, possam ser abertas investigações.
 
Os países asiáticos, em especial a China, são os principais concorrentes das indústrias têxtil e de confecção brasileiras. Nos últimos dez anos as importações do segmento de vestuário cresceu 27%, de US$ 100 milhões para US$ 2,7 bilhões. A competitividade chinesa se dá pelo preço baixo, que por sua vez é conseguido pelo baixo custo da produção. "Não somos contra as importações, mas queremos condições de igualdade para competir com elas", disse o presidente da Abit

Vigilância da Receita gera crédito de R$ 115,8 bilhões


Fiscalização foi prejudicada por uma operação padrão realizada por auditores fiscais no ano passado e por aposentadorias concedidas
ELZA FIÚZA/ABR/JC
Subsecretário de Fiscalização, Caio Marcos Cândido (d), disse que, em 27% das fiscalizações encerrad
Subsecretário de Fiscalização, Caio Marcos Cândido (d), disse que, em 27% das fiscalizações encerrad
O trabalho de combate à sonegação fiscal realizado pela Receita Federal em 2012 resultou em autuações de R$ 115,8 bilhões para pessoas físicas e empresas. O valor representa um recorde histórico e equivale a um crescimento de 5,6% em relação a 2011, quando o montante chegou a R$ 109,6 bilhões. No entanto, o total ficou abaixo do potencial. Uma operação padrão realizada por auditores no segundo semestre do ano passado - conhecida como Crédito Zero - e aposentadorias na carreira acabaram prejudicando as investigações.
“Atingimos um número muito bom em 2012, mas ele teria sido melhor se todas as operações de fiscalização do ano passado tivessem sido encerradas”, admitiu o subsecretário de Fiscalização da Receita, Caio Marcos Cândido.
Segundo ele, os auditores que participaram da operação Crédito Zero não deixaram de fazer nenhuma fiscalização que estava programada, mas não encerraram os processos. Isso significa que eventuais autuações ainda poderão ser aplicadas aos contribuintes e entrarão no resultado de 2013.
As autuações de empresas chegaram R$ 105,7 bilhões, sendo que R$ 87 bilhões foram punições aplicadas a grandes contribuintes (pessoas jurídicas com faturamento elevado e que respondem por 70% da arrecadação federal). Entre os setores econômicos, a indústria continua sendo a campeã nas autuações, seguida por serviços financeiros e prestação de serviços.
No caso das pessoas físicas, as autuações somaram R$ 3,7 bilhões (sem incluir as punições que foram aplicadas por meio da malha fina), sendo que os maiores sonegadores estão entre os proprietários e dirigentes de empresas, seguidos por profissionais liberais e autônomos.
A Receita informou que, em 27% das fiscalizações encerradas, os auditores identificaram prática de fraude, simulação ou conluio, o que configura crime contra a ordem tributária. Por isso, nesses casos, foram formalizadas representações fiscais para fins penais que serão encaminhadas ao Ministério Público.
Ao longo de 2012, foram realizados 17.835 procedimentos de auditoria externa (em que os fiscais vão aos estabelecimentos para investigar a sonegação) e 280.664 revisões de declarações de pessoas físicas e jurídicas. Nos dois casos, no entanto, houve queda no número de operações. Em 2011, haviam sido realizadas 22.115 auditorias externas e 382.625 revisões de declarações.
Segundo Caio Cândido, a queda se explica pela aposentadoria de servidores, mas também por avanços que a Receita fez no processo de seleção e fiscalização de contribuintes. “Mesmo com menos operações, conseguimos aumentar o valor do crédito lançado, e as pessoas jurídicas de grande porte foram mais fiscalizadas, com uma alta de 5,5% em relação a 2011.”
O esforço da Receita na área de fiscalização, contudo, demora a se transformar em receita para os cofres públicos. O subsecretário lembrou que 75% das autuações aplicadas são alvo de recurso por parte dos contribuintes. Somente na esfera administrativa, o tempo de julgamento dos casos leva cerca de 4 anos. Somente 5% pagam os valores imediatamente. Os demais não pagam nem recolhem e são inscritos na Dívida Ativa da União.
Das fiscalizações encerradas em 2012, a Receita identificou 27%, em tese, com possibilidade de existência de dolo, por meio de fraude, simulação ou conluio. Nesses casos, o problema é encaminhado para o Ministério Público Federal, que pode entrar com ação penal contra os possíveis infratores.
Segundo Cândido, a Receita vai continuar fechando o cerco à sonegação em 2013 e espera conseguir implantar a chamada malha fina das empresas. Esse mecanismo vai fazer uma análise eletrônica das declarações entregues por pessoas jurídicas (assim como já ocorre com pessoas físicas) e tornar mais ágil a análise dos documentos. O subsecretário adiantou que o total de declarações revisadas num período de um ano deve saltar de 3 mil para 20 mil a 30 mil.
No ano passado, foram considerados grandes contribuintes para a Receita as empresas incluídas em qualquer um dos seguintes parâmetros: mais de R$ 100 milhões de receita bruta, débitos em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais acima de R$ 10 milhões, massa salarial acima de R$ 18 milhões e débitos declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social acima de R$ 6 milhões.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tinta usada na impressão de livros poderá ficar isenta de tributos



Beto Oliveira
Antônia Lúcia
Antônia Lúcia: é preciso reduzir o preço dos insumos usados nos livros.
Proposta em tramitação na Câmara isenta da cobrança do Pis/Pasep e da Cofins a fabricação de tintas para impressão de publicações. A medida está prevista no Projeto de Lei 4788/12, da deputada Antônia Lúcia (PSC-AC).
A autora argumenta que a Constituição já veda a instituição de impostos sobre livros, jornais, periódicos com o objetivo de garantir a plena liberdade de manifestação do pensamento. Segundo ela, no entanto, há de se pensar também nos insumos que integram os custos de produção para baratear o preço final desses produtos.
“Não basta que o livro, o jornal e o periódico sejam imunes de impostos: é importante que, além do papel destinado à impressão, também a tinta não seja onerada por meio de tributos”, reforça.
Apesar de propor renúncia fiscal, o texto não traz estimativas dessa perda de arrecadação nem maneiras de compensação, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF – Lei Complementar 101/00).

União poderá protestar débitos de até R$ 50 mil


Por Bárbara Pombo | De Brasília
Os procuradores federais estão autorizados a protestar em cartório dívidas de até R$ 50 mil devidas às 155 autarquias - como agências reguladoras - e fundações públicas federais. A liberação do procedimento, questionado por advogados, ocorreu por meio da Portaria nº 17 da Advocacia-Geral da União (AGU), publicada na edição de sexta-feira do Diário Oficial da União.
Com essa forma de cobrança, a AGU busca recuperar créditos de menor valor exigidos hoje por meio de uma infinidade de processos administrativos de autarquias federais, como Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). "Anualmente, 40 mil créditos são inscritos em dívida ativa, a maioria está abaixo de R$ 50 mil", informou o órgão.
A norma regulamenta a Lei nº 12.767, de 28 de dezembro, que incluiu a certidão de dívida ativa (CDA) da União, dos Estados e dos municípios como títulos sujeitos a protesto. Com a edição da norma, a União buscou legalizar esse procedimento de cobrança, do qual vinha se utilizando desde outubro de 2010, mas que gerou questionamentos judiciais justamente pela falta de base legal.
Na portaria, a AGU determina que a dívida proveniente da falta de pagamento de multas e taxas seja protestada em cartório depois de 180 dias da intimação do devedor. O protesto só será cancelado após o pagamento ou parcelamento do débito, além das custas e emolumentos cartorários. Caso não seja quitado, as procuradorias poderão ajuizar ações de execução fiscal na Justiça.
A norma prevê ainda que as CDA's que contenham encargos legais no percentual de 20% serão levadas a protesto com redução do percentual para 10%. Os encargos legais substituem o pagamento dos honorários advocatícios e demais despesas com o processo.
De acordo com a AGU, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editará portaria própria para regulamentar o protesto de débitos relativos a tributos de competência da Receita Federal, como Imposto de Renda e PIS/Cofins.
De outubro de 2010 ao mesmo período de 2012, a Procuradoria-Geral Federal (PFG) - órgão da AGU - recuperou R$ 13,1 milhões com protestos extrajudiciais. O montante equivalente a 45% dos valores encaminhados a protesto.
Para a União, o protesto é um meio de arrecadação "mais célere, eficaz, desburocrático e menos custoso" se comparado à execução fiscal, prevista em uma lei de 1980. Enquanto uma execução fiscal leva mais de oito anos para acabar na Justiça, o protesto demora três dias para ser registrado. Mas, na avaliação de advogados, o litígio poderá aumentar.
Na opinião de tributaristas, o protesto é meio coercitiva de cobrança que tem o intuito de pressionar o pagamento rápido do débito sem dar chance ao direito de defesa. "O devedor é coagido a pagar porque o seu nome entra em cadastros negativos, o que traz dificuldades na obtenção de empréstimos e serviços de fornecedores", diz Fabio Calcini, do Brasil Salomão e Matthes Advocacia. Segundo Calcini, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já tem decisões no sentido de que a CDA é um título executivo, daí a desnecessidade do protesto.
Segundo Rafael Nichele, do escritório Cabanellos Schuh Advogados Associados, a empresa pode ajuizar ação cautelar para sustar o protesto. "O argumento é que vai discutir a cobrança via execução fiscal ou que vai propor uma ação anulatória do débito", diz, acrescentando que a nova forma de cobrança acarretará em um maior número de ações na Justiça.

Governadores congelam gasto para compensar queda de receita


Por Marta Watanabe e Alessandra Saraiva | De São Paulo e do Rio
Em um ano de mudanças na arrecadação do ICMS e no repasse de receitas, alguns Estados decidiram agir com mais cautela e ampliaram o valor das despesas que ficarão congeladas no começo do ano. São Paulo contingenciou 1,43% do Orçamento de 2013. No ano passado, o bloqueio foi de apenas 0,5%. O Estado do Espírito Santo contingenciou 10%. Em 2012, houve monitoramento de receitas, mas o governo capixaba não chegou a efetuar bloqueio.
No Rio de Janeiro, o valor reservado é semelhante ao do ano passado. Santa Catarina e Rio Grande do Sul ainda não definiram o que será feito. No plano federal, o governo ainda espera pela aprovação do Orçamento de 2013 pelo Congresso Nacional.
Apesar de não fornecer explicação para um contingenciamento muito maior do que o feito no ano passado, o governo de São Paulo diz que a medida não tem relação com eventual redução na estimativa de arrecadação. Já o governo do Espírito Santo diz ter adotado o bloqueio em razão do receio de não realizar parte das receitas.
No Rio, uma possível queda de receita própria e a indefinição no Fundo de Participação do Estados (FPE) colocaram o contingenciamento de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão nos planos do governo neste ano. Em 2012, o governo fluminense também bloqueou R$ 1,5 bilhão.
Em nota, a Secretaria de Planejamento do Estado de São Paulo diz que os recursos serão liberados "nos próximos meses, sem qualquer prejuízo à totalidade de ações previstas para 2013". Entre os R$ 2,5 bilhões em despesas congeladas, os investimentos foram atingidos em R$ 1,1 bilhão e o custeio em R$ 1,4 bilhão. O bloqueio em 2012 foi de R$ 785 milhões.
Levando em conta os investimentos, as áreas com contingenciamento maior foram o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), a Secretaria de Habitação e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Juntos, tiveram R$ 676 milhões bloqueados. O DER ficou com a maior fatia, R$ 438,4 milhões. O valor significa 9,9% do total que deve ser investido pelo órgão neste ano. Na Secretaria de Habitação, os R$ 102,8 milhões bloqueados significam 15,7% do investimento orçado.
Gustavo Guerra, subsecretário da Receita Estadual do Espírito Santo, diz que o contingenciamento de 10% do Orçamento de R$ 13,9 bilhões para 2013 deve ser mantido por cerca de 90 dias. O principal receio do Estado é a repercussão da unificação do ICMS interestadual para importados a 4%. Reconhecido pela concessão de incentivos do imposto às mercadorias que desembarcam em seu território, o Estado receia queda da receita própria com a unificação, que teve como objetivo acabar com a chamada guerra fiscal dos portos.
A cautela, porém, não se restringe ao ICMS. O subsecretário diz que a redução dos preços de carros usados pode afetar a receita com o IPVA, cobrado sobre a propriedade de veículos. "Isso causou redução de 9% a 10% na base de cálculo do imposto", diz. "Este ano se tivermos arrecadação igual ou com crescimento nominal de 3% ou 5% no IPVA, na comparação com o ano passado, já teremos resultado positivo." A indefinição sobre a divisão de recursos do FPE é outro fator que preocupa o governo capixaba. No ano passado, o repasse foi responsável por quase 10% do Orçamento total.
O contingenciamento, informa o secretário, foi todo feito em custeio. Os investimentos, diz, não serão afetados. O governo do Espírito Santo quer aumentar os investimentos de R$ 1,3 bilhão, em 2012, para R$ 1,6 bilhão neste ano.
O receio da suspensão temporária no repasse do FPE e uma possível queda de receita do ICMS deve obrigar o governo do Rio a promover contingenciamento entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão no Orçamento em 2013. Segundo o secretário de Fazenda do Estado, Renato Villela, o valor é uma estimativa. O montante ainda não foi fechado, devido a algumas incertezas que cercam as receitas do Rio para este ano. Em 2012, o contingenciamento atingiu R$ 1,5 bilhão, pouco abaixo do realizado em 2011 (R$ 1,615 bilhão).
Segundo informações da secretaria de Planejamento e Gestão do Rio, o Projeto de Lei do Orçamento Anual (PLOA) de 2013 estima R$ 71,83 bilhões para este ano. O valor é 15,93% acima do Orçamento de R$ 61,96 bilhões, previsto na LOA 2012.
Villela afirmou que depois do envio do projeto de lei para aprovação de Assembleia Legislativa, houve a medida provisória que prevê a renovação das concessões do setor elétrico e a redução da tarifa da conta de luz em 2013. "Essa MP vai causar uma redução significativa na nossa receita de ICMS [devido à redução na tarifa cobrada ao consumidor]", disse o secretário.
Outro ponto lembrado por Villela foi a polêmica que cerca o repasse do FPE. O secretário lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegal a lei que estabelece a forma de divisão do dinheiro dos Estados. "Então, a partir deste mês, se for repassado esse recurso, vai se descumprir uma decisão do STF. É muito provável que, se nada for conseguido até o dia 20, que se interrompa o repasse do FPE", observou.
"Essa indefinição certamente vai fazer com que os recursos do fundo, durante algum tempo, não sejam repassados. Por isso, o tamanho do contingenciamento não está definido", afirmou Villela. O secretário salientou que não há patamar médio de contingenciamento nas contas do Estado. "Já foram feitos maiores e já foram feitos menores", afirmou, sobre a estimativa para 2013.

Empréstimos entre companhias poderão ter juros internacionais

A partir de agora, os empréstimos intercompanhias poderão usar como referência para a fixação dos juros as taxas de mercado dos títulos brasileiros emitidos no exterior em moeda nacional ou norte-americana quando as operações forem feitas em reais ou em dólares. Além disso, o spread que incidia sobre estes tipos de operações e que era fixo será integralmente definido pelo Ministério da Fazenda.
As mudanças fazem parte da instrução normativa n. 1.322 da Receita Federal publicada na semana passada no Diário Oficial da União. Antes da alteração, o ministro da Fazenda podia apenas reduzir o spread quando o governo julgasse conveniente, levando em conta o comportamento do mercado. Com as novas regras, quem determinará o tamanho desse spread será o titular da Pasta.
Até agora, o único benchmark utilizado nos empréstimos intercompanhias era a Libor, que continuará para as operações nas demais moedas, acrescida de mais 3%. Esses 3% são referentes ao spread embutido na operação.
De acordo com o subsecretário da Tributação da Receita Federal, Sandro Serpa, o percentual do spread a ser definido pelo governo ainda está em estudo, mas deve ser apresentado ainda este mês pelo ministro Guido Mantega, que volta de férias nesta segunda-feira. Não há uma fórmula, de acordo com Serpa, para se chegar ao indicador. Serão consideradas as condições de mercado para a definição, destacou o subsecretário Sandro Serpa.
A instrução normativa 1.322 da Receita Federal, que traz as novas regras, altera uma parte de outra instrução, a de número 1.312, de 31 de dezembro do ano passado, que regulamenta a MP 563. Por causa disso, a medida publicada nesta sexta-feira é retroativa a 1º de janeiro de 2013.
A substituição da Libor em algumas operações não tem outra explicação, de acordo com Serpa, se não a de utilização de parâmetros que retratem com mais fidelidade as condições atuais. "Estamos buscando uma taxa mais próxima, que reflita melhor as condições de mercado", afirmou. "E a Libor não é a referência ideal para empréstimos em dólar", completou. O subsecretário ressaltou que a medida publicada não tem qualquer relação com o planejamento macroeconômico do governo.
A coordenadora de Tributação substituta da Receita, Cláudia Lúcia Pimentel, acrescentou que esses parâmetros usados pelo fisco evitam que empresas façam transferências maquiadas de recursos entre filiais e matrizes. "É para evitar manipulações de transferências", disse. Além disso, empresas de má-fé poderiam usar a ferramenta de empréstimos intercompanhias para pagar menos impostos no Brasil. Os tributos que incidem sobre essas atividades são a Contribuição Social sobre Lucro Líquido e o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

Estatísticas sobre o país ficam mais acessíveis para o pequeno empresário


O empresário Alexandre Cabrera, 36, sócio do salão de beleza Love my Nails, criou sua empresa ano passado em uma das ruas do bairro da Vila Olímpia, na zona oeste de São Paulo. Ele usou dados de georreferenciamento para escolher um ponto comercial entre outros dois.
"Você queima suas fichas à toa se não escolhe direito [o local do negócio]. Acabei optando por um lugar com ótimo fluxo de pessoas", conta.
O georreferenciamento é o levantamento de informações de pessoas que moram ou circulam em espaços, como cidades, bairros ou ruas, com o objetivo de realizar análises e comparações.
Victor Moriyama/Folhapress
Alexandre Cabrera dediciu local onde abriria sua loja depois de receber um estudo de georreferenciamento sobre região que lhe interessava
Alexandre Cabrera dediciu local onde abriria sua loja depois de receber um estudo de georreferenciamento sobre região que lhe interessava
Antes restrita apenas a grandes empresas, essa ferramenta se popularizou muito com o lançamento do Google Maps, em 2005, e com a disseminação dessas ferramentas nos dados públicos do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Agora, a tendência é que o recurso se espalhe mais. Até o fim de fevereiro, o IBGE passará a disponibilizar mais dados gratuitos para georreferenciamento: as estatísticas de renda do Censo 2010 vão estar disponíveis por setor censitário, e não apenas em áreas maiores, como cidades.
Setor censitário são delimitações menores e mais precisas de uma área, em torno de 250 a 350 domicílios. Com isso, até pedaços de grandes ruas passarão a ter dados de renda em separado.
Segundo a analista de geoprocessamento do IBGE, Maria do Carmo Dias Bueno, o país tem 315 mil setores censitários. O edifício Copan em São Paulo, por exemplo, é formado por dois setores.
No caso de Cabrera, sua proposta era abrir uma empresa especializada em unhas, inspirado em salões dos EUA nos quais as clientes podem fazer ao mesmo tempo shiatsu nas costas e hidroterapia nos pés.
Ele, então, contratou uma consultoria de georreferenciamento para mapear a cidade por dados comerciais, residenciais e aspecto das vias públicas.
"Minha ideia era encontrar uma área mista, com residências e empresas. No lugar que escolhi, as clientes lotam o salão no horário do almoço porque estou perto do meu público-alvo e do trabalho dele", afirma.
FIM DO ALFINETE
Os dados disponíveis no site do IBGE abrangem tipo de domicílio, tipo de ocupação (alugada ou própria), renda domiciliar, número de moradores e características como idade, cor, entre outras. "As ferramentas permitem a qualquer usuário fazer rankings, cruzar dados, criar índices e também baixar os dados para usá-los no computador", explica Bueno.
Alessandra Mariane Beltrame, coordenadora do curso de pós-graduação em geoprocessamento do Centro Universitário Senac, afirma que o país vive uma situação oposta à da década de 1980, na qual dados de georreferenciamento só eram usados por geógrafos ou por empresas muito grandes. "O máximo que pequenas empresas faziam era usar os mapas nas paredes com alfinetes coloridos", diz Beltrame.
Ela afirma que a atual quantidade de dados disponíveis no país para georreferenciamento digital é inédita, muito favorecida pela forma como o Censo 2010 foi feita, pois os 190 mil recenseadores tinham computadores portáteis para recolher os dados, que foram cruzados com imagens de satélite e fotos aéreas para traçar mapas.
"Hoje existe até um excesso de dados. A diferenciação está em saber usar e interpretar as informações."
PERSONALIZADO
A possibilidade de usos inclui fazer estratégicas de marketing segmentadas, planos de logística, estudos para abertura de pontos comerciais e administrativos, limitar a área de influência, escolher o território de vendas, encontrar o público-alvo e pesquisar o perfil da população.
O engenheiro de produção Ruy Shiozawa, 45, vai abrir neste semestre uma academia de ginástica em São Paulo. Ele conta ter usado o georreferenciamento desde a escolha do público-alvo.
Zé Carlos Barretta/Folhapress
Ruy Shiozawa, da GPTW, usou o servico de georreferenciamento para escolher o melhor ponto onde abrir uma academia para terceira idade em Moema (São Paulo)
Ruy Shiozawa, da GPTW, usou o servico de georreferenciamento para escolher o melhor ponto onde abrir uma academia para terceira idade em Moema (São Paulo)
Uma consultoria foi contratada para estudar o perfil populacional da cidade e Shiozawa decidiu abrir uma academia com foco maior para a terceira idade, devido ao envelhecimento da população em muitas áreas do município.
Depois, foram feitos estudos para definir o local: uma área com percentual alto de pessoas a partir de 65 anos, de renda média alta, grande concentração de apartamentos ou casas e facilidade de estacionamento e de deslocamento a pé.
Após as análises, foi escolhida uma rua do bairro de Moema (zona sul). "Nosso próximo passo vai ser fazer estratégias de marketing personalizadas de acordo com o perfil do entorno", detalha.
O preço de uma consultoria de georreferenciamento para pequenas ou médias empresas é de aproximadamente R$ 5.000, dependendo da especificidade -grandes projetos, feitos para multinacionais ou governos, chegam a custar R$ 400 mil ou mais.
De olho nesse mercado das pequenas companhias, o empresário Pedro Figoli, 43, criou a consultoria Geofusion. Um dos sinais que ele cita da popularização entre as microempresas, por exemplo, no uso geomarketing, é o emprego cada vez maior do Google Maps para indicar as localizações de empresas.
Victor Moriyama/Folhapress
Pedro Figoli, diretor-executivo da empresa, Geofusion, que presta serviços de geomarketing
Pedro Figoli, diretor-executivo da empresa, Geofusion, que presta serviços de geomarketing
"Esse é um uso básico e gratuito, mas as pequenas empresas já têm ferramentas mais em conta que permitem que elas entendam melhor o potencial do mercado em que estão", comenta.
ÁGUA E RISCOS
O uso do georreferenciamento tem centenas de anos. Tadeu Masano, presidente da empresa Geografia de Mercado, uma das pioneiras do setor, lembra que a própria cidade de São Paulo foi fundada após a escolha de uma área com água.
"A informação sempre teve valor porque significa maior probabilidade de uma decisão correta", comenta.
Sua empresa já fez estudos até para criação de cemitérios. Hoje, ele afirma que a maior procura dos pequenos empresários é por produtos que trazem relatórios prontos de uma cidade, como características econômicas e sobre faixa etária de moradores.
O diretor-geral da consultoria Cognatis, Reinaldo Gregori, afirma que há um uso crescente das ferramentas por empresas menores.
Ele cita que os principais clientes são os setores de construção, franquias e varejo que querem embasar melhor decisões de negócios.
"A ideia é sempre diminuir os riscos em tomadas de decisões como a abertura de um novo ponto de venda. Posso destacar o caso de uma empresa no ramo financeiro que, com ajuda do geomarketing, desenvolveu um método para estimar o faturamento futuro de cada nova loja com um erro menor que 10% e, desta forma, pôde realizar seu plano de expansão."
A rede de franquias de clínicas de emagrecimento Emagrecentro é uma das empresas que fazem uso do georreferenciamento para crescer. Seu diretor, Edson Ramuth, 50, conta que pesquisa faixas etárias e classes sociais antes de abrir novas unidades.
Zé Carlos Barretta/Folhapress
Edson Ramuth, diretor da Emagrecentro, utiliza o georreferenciamento para direcionar abertura de lojas pelo país
Edson Ramuth, diretor da Emagrecentro, utiliza o georreferenciamento para direcionar abertura de lojas pelo país
O objetivo é inaugurar lojas em áreas onde estão as classes B e C. "Antes de usar essa ferramenta, tínhamos mais problemas e insucessos. Agora sempre estamos perto da clientela", diz ele.
A empresa de painéis de comunicação digital Eletromidia tem cerca de 1.400 pontos publicitários em 16 cidades e periodicamente precisa estudar o perfil do público que circula nos entornos para negociar seus contratos. O IBGE não tem dados sobre circulação de pessoas, apenas sobre moradores. Para saber quem passa por esses pontos, a Eletromidia usa um aplicativo específico.
Um dos sócios da empresa, Alexandre Guerrero, 37, conta que esses estudos eram feitos de forma empírica até um ano e meio atrás. "Passamos a usar o georreferenciamento e temos embasamento técnico para negociar os acordos de publicidade."
Futuro
Outra possibilidade do georreferenciamento, já usada mais largamente em países como EUA e França, é medir as pequenas sazonalidades dentro de um shopping center para descobrir quais os corredores com mais pessoas. Figoli explica que isso é possível devido aos smartphones com GPS, com uso similar ao do Foursquare.
"Essa tecnologia já existe, é um georreferenciamento em tempo real. Com isso, é possível fazer propaganda rápida e tomar decisões mais velozes. O que ainda se discute é o sigilo desses dados."
O pesquisador da Fundação Vanzolini e da FGV Eduardo de Rezende Francisco cita alguns outros exemplos dessa tecnologia embarcada nos smartphones em aplicativos já disponíveis.
"O aplicativo Waze sugere rotas melhores de trânsito a partir de sugestões dos próprios usuários. Já o Meia Bandeirada permite o compartilhamento de viagens de táxi usando comunicação georreferenciada. A tecnologia tornou possível a invenção de novos produtos."