segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A roda da fortuna continua girando...


A despeito do pessimismo da mídia internacional, os investidores estrangeiros apostam alto no Brasil, comprovando que o País continua mais "queridinho" do que nunca.

Por Luís Artur NOGUEIRA
Vai ser difícil encontrar um investidor estrangeiro, interessado no potencial do mercado consumidor brasileiro, que não celebre o mais recente levantamento sobre o nível de emprego do IBGE. Divulgado na quinta-feira 31, o documento informa que a taxa de desemprego no País encerrou 2012 em 4,6%, o menor patamar da série histórica. No mesmo período, a renda média do trabalhador cresceu 4,1%, já descontada a inflação. São números que contrastam com a postura de parte da mídia internacional e de alguns congêneres locais, que, nos últimos meses, vêm publicando reportagens críticas à economia brasileira. 
 
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Mãos à obra: 23,1% dos empresários franceses estão interessados em obras de infraestrutura no Brasil.
Na foto, a construção de hidrelétrica em Rondônia
 
Segundo o bordão da hora, o País teria perdido o posto de “queridinho” do mercado para o México, a potência econômica ancorada ao sul do Rio Grande. Bobagem. Embora muitos analistas tenham como passatempo favorito a engenharia com os números para corroborar teses negativas, a realidade vem contrariando os pessimistas de plantão. No ano passado, o Brasil atraiu US$ 65,3 bilhões em investimentos estrangeiros diretos – volume levemente inferior ao recorde de 2011 e equivalente a 2,9% do PIB (veja quadro na pág. 32). O número sinaliza que o Brasil continua sendo um país bastante atrativo para as empresas estrangeiras. 
 
“Essas multinacionais provavelmente avaliam a frustração de crescimento econômico brasileiro de 2012 como algo muito mais temporário do que permanente”, diz a LCA Consultores, em relatório distribuído a clientes. Só para comparar: no mesmo período, o país dos mariachis recebeu US$ 19 bilhões. Para 2013, o mercado espera mais uma leva de US$ 60 bilhões em investimentos no Brasil, seja por meio de aquisições, seja por novos projetos, conhecidos como greenfields. A Unctad, órgão das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, informa que o Brasil atraiu 28% do total de recursos estrangeiros na América Latina. “O fluxo continua robusto e confirma a liderança do País na captação de investimentos na região”, diz a Unctad. 
 
Até mesmo o mercado financeiro, que em tempos de crise internacional não costuma esbanjar otimismo, tem sido uma fonte de boas notícias. O fluxo de dinheiro estrangeiro para a Bovespa fechou no azul em janeiro, pelo terceiro mês consecutivo. Além disso, empresas brasileiras estão conseguindo recursos no Exterior a juros baixos, um reflexo inequívoco da confiança dos investidores no País. Os frigoríficos JBS, Minerva e Marfrig captaram US$ 1,95 bilhão em janeiro – a demanda pelos papéis chegou a US$ 12 bilhões. Houve também operações bem-sucedidas do BTG Pactual, do Banco do Brasil e da Tonon Energia. Pressionados pela crise europeia, oito representantes de câmaras de comércio francesas desembarcaram em São Paulo, na semana passada, para uma agenda repleta de compromissos. 
 
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O Brasil no horizonte: Christophe Duday, das Câmaras
de Comércio Francesas, diz que o mercado brasileiro é prioridade 
 
O grupo ainda estenderia a viagem com uma visita ao Rio de Janeiro. Os executivos representam o interesse de milhares de companhias, ávidas por ganhar dinheiro no País. “O mercado brasileiro é prioridade para a França”, disse à DINHEIRO Christophe Duday, diretor internacional das Câmaras de Comércio Francesas e líder da delegação. “Ao contrário da Europa, aqui há inúmeras oportunidades.” A Câmara de Comércio França-Brasil (CCFB), que recepcionou o grupo, acaba de concluir um levantamento que mostra um crescimento de 22% no volume de consultas de empresas à entidade sobre negócios no mercado brasileiro, no ano passado, em relação a 2011. O estudo também mapeou quais setores estão atraindo o maior interesse dos franceses no Brasil. 
 
Infraestrutura (23,1%) e Indústria (15,9%) lideram a lista. Do total de entrevistados, quase um terço pretendia implantar um novo projeto e 23% buscavam uma aquisição ou joint venture. “Para obter êxito no mercado brasileiro, o ideal é a empresa francesa se instalar aqui”, afirma Sueli Lartigue, diretora-executiva da CCFB. Outra forma de se medir o pulso do interesse estrangeiro é observar a demanda por serviços de assessorias financeiras corporativas. A Cypress Associates, especializada em operações de fusões e aquisições internacionais, continua sendo acionada por clientes de todos os continentes. “O apetite pelo Brasil não diminuiu”, diz Fábio Matsui, sócio da Cypress. Matsui acredita que o Brasil tem diferenciais, como regras claras de governança corporativa, que compensam qualquer PIB morno no curto prazo. 
 
Mesmo assim, não faltam diariamente as intervenções dos urubólogos de plantão. A ponto de levar o insuspeito economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, que foi ministro das Comunicações no governo FHC, a estranhar “um pessimismo generalizado com o nosso futuro”, conforme escreveu em recente artigo no jornal Folha de S. Paulo. “Pouca importância tem sido dada para alguns indicadores positivos”, disse Mendonça de Barros, referindo-se, por exemplo, a uma recente pesquisa da PwC, com 1.330 executivos de 68 países, que colocou o Brasil como o terceiro mercado de maior potencial para o crescimento dos negócios, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Em outras palavras, os estrangeiros sabem que a roda da fortuna continua girando por aqui. É só ver para crer.
 
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